“As populações têm sentido e sofrido com os impactos das alterações climáticas” – Dinasalda Ceita

Saiba mais sobre o Projeto Adaptação às Mudanças Climáticas com o STP Digital.

O STPDigital esteve à conversa com a Coordenadora do Projeto Adaptação às Mudanças Climáticas, Dinasalda Ceita, que foi lançado no dia 10 de Junho do ano passado. O projeto visa reforçar a capacidade de resiliência das opções de subsistência de 30 comunidades rurais mais vulneráveis face aos impactos das mudanças climáticas em São Tomé e Príncipe nos distritos de Caué, Mé-Zóchi, Região Autónoma de Príncipe, Lembá, Cantagalo e Lobata. Mais de um ano depois da implementação do projeto, Dinasalda Ceita disse que faz um balanço positivo da execução do projeto até então, visto que os objetivos no âmbito das atividades previstas estão a ser atingidos. .

O projeto tem uma duração de 4 anos (2015-2016) e conta com o financiamento do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF),na ordem dos 4 milhões de dólares norte americanos, executado em São Tomé e Príncipe através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e implementado com a Direção da Agricultura e Desenvolvimento Rural e os Centros de Aperfeiçoamento técnico agropecuário, de Apoio ao desenvolvimento Rural e de Investigação agronómica e tecnológica.

O alvo do projeto são 30 comunidades vulneráveis de São Tomé e Príncipe. Na lista da Região Autónoma do Príncipe constam Santa Rita – Praia Campanha, Praia Abade, Azeitona, Nova Estrela e Ponta de Sol. Do distrito de Lembá inclui a Roça Lembá (Roça S. João), Ribeira Funda, Ponta Figo (sede), Generosa e Paga-Fogo. No distrito de Cantagalo abrange Monte Belo, Quimpo, Mendes da Silva, Colónia Açoriana e Uba Budo (sede). Canavial, Santa Luzia, Plancas Primeira, Plancas Segunda e Fernão Dias são as comunidades beneficiárias de Lobata. Em Caué o projeto abarca Malanza, Soledade, Iô Grande, Ponta Baleia e Praia Pesqueira. E no distrito de Mé-Zóchi inclui Rio Lima, Bom Sucesso, Bem Posta, Saudade e Água das Belas.

STPDigital - Que ações têm levado a cabo no âmbito do projeto?

Dinasalda de Ceita: Realizamos estudos de viabilidade para reabilitação e/ou construção dos sistemas de irrigação nas comunidades rurais de Santa Luzia, Canavial e Rio Lima. Lançamos o concurso para a contratação de empresa para a construção e a reabilitação dos sistemas de irrigação na comunidade rural de Rio Lima. Estão em curso as obras de reabilitação e/ou construção dos sistemas de irrigação na comunidade rural de Bom Sucesso e Terra Batata, que terminam no próximo mês. Também lançamos um concurso para a aquisição de 10 estufas agrícolas de produção para beneficiar 10 comunidades do projeto. Criamos cooperativas para a gestão das estufas e identificação dos espaços para a sua instalação e cooperativas para a gestão de pocilgas coletivas que serão construídas. Lançamos outro concurso com a finalidade de obter propostas para a implementação nas comunidades rurais selecionadas pelo projeto. Temos um sistema de microfinanciamento/ microcrédito credível, sustentável e rentável para beneficiar pescadores, palaiês, agricultores e criadores de animais.

Já formamos 49 formadores nacionais em mudanças climáticas, adaptação e resiliência. Criamos comités comunitários de mudanças climáticas e formamos 176 membros dos comités comunitários de mudanças climáticas nas 30 comunidades do projeto, fizemos um diagnóstico rural participativo do projeto e diagnosticamos as principais pragas e doenças que afetam as plantações naquelas comunidades. Formamos ainda 13 técnicos nacionais em Sistema de Formação Geográfica (SIG), fizemos o reforço institucional das instituições parceiras, criação uma página web para divulgação e partilha das nossas atividades e resultados.

STPDigital - Que impacto tem tido o projeto nas comunidades beneficiadas?

Dinasalda de Ceita: O impacto tem sido positivo, com uma boa receção dos membros das 30 comunidades rurais vulneráveis do projeto. O exemplo é o nível de participação dos membros da comunidade particularmente dos membros do comité comunitário de mudanças climáticas na implementação das atividades do projeto nas comunidades. Outro exemplo, para a instalação de 10 estufas de produção agrícola, os membros das comunidades disponibilizaram voluntariamente os espaços a favor das cooperativas.

STPDigital - Qual tem sido a reação das populações?

Dinasalda de Ceita: As populações têm sentido e sofrido com os impactos das alterações climáticas, particularmente as vulneráveis que vivem da agricultura (perdem as suas culturas devido a redução dos períodos de chuva e falta de sistema de irrigação, ou excesso de chuva acompanhado de ventos fortes) ou que vivem da pesca, que têm de recorrer ao alto mar para a captura de pescado com técnica artesanal, palaiês que têm falta de meios para conservação ou transformação de pescado, criadores que fazem criação à solta, que para além de constituir um problema de saúde pública devido ao saneamento do meio destas comunidades, também tem sofrido de roubo, e com isto, conta com a intervenção do projeto.

STPDigital - Que dificuldades têm encontrado?

Dinasalda de Ceita: Alguns constrangimentos que temos encontrado na realização das atividades passam por fazer com que as instituições parceiras compreendam que o projeto tem metas e indicadores a atingir e existe uma contrapartida do Estado através dos seus funcionários. O projeto é co-financiado pelo GEF/PNUD e tem uma contrapartida do Estado. Os passos para reduzir esses riscos são a comunicação permanente entre as diferentes partes envolvidas na realização dos trabalhos e na implementação das atividades nas comunidades. E revisão permanente e seguimento dos planos semanais, mensais e trimestrais de atividades para garantir que os riscos sejam melhor controlados nesta fase inicial do projeto.

STPDigital - Quais serão os próximos passos?

Dinasalda de Ceita: O passo seguinte é de consolidar e efetivar intervenções e ações nas 30 comunidades rurais vulneráveis do projeto. Por exemplo, esperamos brevemente ter colheita de horticulturas nas estufas, evitando escassez no mercado nacional por um lado, e aumentar o rendimento familiar dos agricultores, por outro lado.

Entrevistada por
Katya Aragão
O País Lusófonia Política Economia Sociedade Desporto Educação Cultura Multimédia Saúde
Cultura Angola     Embaixadas Futebol        
Demografia Brasil   Turismo Serviços Basquetebol   Gastronomia    
Geografia Cabo Verde   As praias Emprego Ciclismo   Folcrore    
História Guiné Bissau   Ecoturismo Imobiliário Canoagem   Festas Locais    
Clima  Moçambique   A Capital Meteorologia  Clubes        
Fotos  Portugal      Tecnologia Taykwondo        
  Timor     Links Úteis Capoeira        
  S.Tomé e Príncipe       Xadrez        

© 2015 STP Digital Lda. Todos os direitos reservados. | Desenvolvimento por Albatroz Digital | Manutenção por STP Digital Lda | Termos e Política de Privacidade | Publicidade