STP prepara-se para apostar em energias renováveis

Um dos principais entraves para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe tem sido a questão da produção e distribuição de energia. Energia para todos ainda não é uma realidade, mas tudo indica que com a ajuda de parceiros a Direção Geral dos Recursos Naturais e Energia (DGRNE) está a dar os primeiros passos para reverter o quadro atual de energia no país. Uma reversão que passa necessariamente pela aposta em energias renováveis.

Em entrevista exclusiva ao STP Digital o Diretor Geral dos Recursos Naturais e Energia, Gilmar Ramos, disse que apesar de vários cantos de São Tomé e Príncipe já terem energia elétrica, ainda há muito por fazer ao nível de transporte e distribuição de energia sobretudo para as localidades rurais, bem como ao nível de meios de produção.

“Sem energia, não há desenvolvimento. A situação atual de energia em São Tomé e Príncipe ainda não chegou no seu topo, mas posso dizer que já esteve bem pior antes, com a entrada do 16º governo, tem havido muitas intervenções em vários aspetos. Tem havido uma participação dos principais parceiros do país neste domínio, as coisas têm melhorado, razão pela qual, a energia elétrica da rede da EMAE, já chegou a cidade de Angolares, algo que algum tempo atrás, parecia uma miragem”, afirmou Gilmar Ramos.

O Diretor da DGRNE frisou que a melhoria do fornecimento de eletricidade não passa apenas pela compra de novos geradores, ou simplesmente garantir a sua manutenção. “É preciso reorganizar a empresa produtora de energia, apetrechar com melhores condições, formar os quadros, a fim de ter quadros suficientes, para corresponder as necessidades precisas”, disse Gilmar Ramos.

São Tomé e Príncipe possui um grande potencial energético ao nível de recursos naturais, em particular recursos hídricos de pequena e média escala. Estamos a falar de mais de uma centena de rios num arquipélago de uma área total de 1001 km2, o que significa que as ilhas maravilhosas têm água em todo o lado. Assim sendo, a aposta em energias renováveis faz todo o sentido, visto que para além de ser mais rentável do ponto de vista temporal pelo facto de ser inesgotável, por ser energia limpa é amiga do ambiente e terá um impacto positivo na economia e na vida social dos sãotomenses.

Gilmar Ramos disse que é preciso fazer vários estudos: “o país carece de vários documentos acerca da real situação energética do país, das potencialidades, dos seus prós e contras, informações estas, que caso alguém tenha vontade de investir, não perca tempo em consultorias, ganhando, deste modo, tempo e facilitando o trabalho. Não esquecendo de regulamentos, que definam a linha de orientação no funcionamento das coisas”.

Neste momento, São Tomé e Príncipe tem dois grandes projetos de produção de energias renováveis e a grande aposta serão as hidroelétricas. Existe um financiamento do Banco Mundial para reabilitar a Central de Rio Contador, com o objetivo de aumentar a capacidade desta. Esta reabilitação está a ser levada a cabo pela Empresa de Água e Eletricidade (EMAE).

Outro projeto em execução é “Promoção de rede resistente ao clima e ambientalmente sustentável/ rede isolada de eletricidade hidroelétrica e através, de uma perspectiva integrada energia-solo e floresta em São Tomé e Príncipe” (Projeto Energia). É um projeto integrado de Energias Renováveis, gestão sustentável dos ecossistemas e degradação da terra, financiado pelo Fundo Global para o Ambiente (GEF), orçado em 5 milhões de dólares americanos, implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e coordenado pela DGRNE. O Projeto Energia visa introduzir uma abordagem integrada e ecossistemática na gestão das bacias hidrográficas incluindo a produção de energia hidroelétrica através de pequenas centrais. Serão construídas pequenas centrais mini-hídricas para fornecimento de energia eléctrica, que significará a diminuição da compra de combustíveis fósseis.

No final do ano passado o governo realizou em parceira com o PNUD e outros parceiros a primeira Feira sobre Mudanças Climáticas em São Tomé e Príncipe, que decorreu na capital do país de 5 a 9 de Dezembro. A feira teve como objetivo divulgar e sensibilizar a população sobre as mudanças climáticas, as suas causas e consequências, através de exposições, debates, cinema e música.

A DGNRE aproveitou a feira para apresentar os projetos, esclarecer e sensibilizar as pessoas sobre o impacto das mudanças climáticas no seu quotidiano. “Sabemos que um dos gases de efeito de estufa responsável pelo aquecimento adicional da atmosfera, provém da queima de combustíveis fósseis nas centrais elétricas. A desflorestação traz igualmente consequências, na medida em que menos árvores ficam disponíveis para absorver dióxido de carbono (CO2), as queimadas também têm sido um problema porque degradam completamente o solo”, explicou Gilmar Ramos.

Entre todos os fatores que contribuem para a emissão de gases que causam o efeito de estufa, originando o aquecimento global e provocando as mudanças climáticas, pode-se dizer que São Tomé e Príncipe não é considerado um país poluidor, mas que tem sofrido os efeitos das mudanças climáticas. Gilmar Ramos alerta que a natureza é imprevisível, incontrolável e devastadora. “É preciso uma mudança de comportamento e de atitude perante o uso dos recursos naturais que estão a nossa disposição. O não abate de árvores, a não extração das areias nas praias e não só. Devemos apostar em energias renováveis! É preciso que os governos adotem regulamentos com coimas para aqueles que de forma abusiva e irresponsável, fazem uso destes recursos, sem pensar nas consequências”.

O Diretor acrescentou ainda que “a melhor maneira de combater alguma coisa, é a prevenção. Só com a colaboração e integração de todos, poderemos combater este flagelo que se chama “mudanças climáticas”.

Entrevistado por
Katya Aragão
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