Bem-vindos a São Tomé!

Saem de Portugal ou de onde quer que tenham estudado com sentimento de dever cumprido. Diplomas nas mãos, no coração carregam sonhos e na cabeça apenas uma certeza: foram anos e noites a base de café para aguentar as diretas a estudar para os exames. E muitas outras noites em festas e jantaradas típicas do meio académico.

Orgulho da mãe e do pai. Quando pisam o chão da terra que os viu nascer, são tomados por comoção. "Enfim em São Tomé", pensam. A família recebe-os em festa e tudo parece bem. Depois dos merecidos festejos começa de facto a mais brava luta que alguma vez já travaram. Mais difícil até que os exames das piores cadeiras do curso. Uma luta em que a persistência, paciência e perseverança tem um papel fulcral.

Os currículos, as cartas de apresentação e recomendação elaboradas com total zelo, exibem perfis de potenciais candidatos a uma empresa ou instituição. São dotados de competências linguísticas, técnicas, académicas e até experiência profissional (pois enquanto estudavam também trabalhavam). Os candidatos perfeitos. No entanto, após distribuírem inúmeros CVs e a medida que o tempo passa, os dias transformam-se em semanas, as semanas em meses, e por fim, passou-se um ano em entrevistas e todas elas com resposta negativa. Nem os concursos públicos pareciam-lhes de fácil acesso.

As mães, nesses meses todos, cada vez mais angustiadas pela injustiça de vê-los finalmente em casa, mas desempregados e sem perspetivas de conseguir um emprego a curto ou médio prazo. Os pais esgotam todos os seus contactos. As poupanças feitas nos anos de estudo chegam ao fim. Estes jovens são-tomenses estão finalmente em casa, mas estão frustrados.

Jovens que antes eram otimistas e que tinham vontade de mudar o mundo, hoje tornaram-se carrancudos e desmotivados. Movidos pelo orgulho propõem-se a trabalhar por conta própria dando aulas de línguas, ainda que não seja essa a sua área de formação, mas sentem-se na obrigação de apoiar os pais financeiramente, e como adultos que hoje são, também querem a sua independência.

Numa conversa informal com uma antiga colega de curso surgiu a oportunidade que Maria (nome fictício) tanto almejava. Conseguiu fazer a ponte entre ela e uma renomada Multinacional que reconheceu nela as características que procuravam nos seus candidatos. Ela era sim a candidato perfeita. Estava muito feliz pois as condições eram óptimas. No aeroporto, a mãe derramou mais uma vez às suas lágrimas, pois a filha partia novamente. A candidata perfeita não fora bem-vinda em São Tomé e Príncipe, embora no exterior fossem reconhecidas as suas capacidades. Um abraço longo separou mais uma vez à mãe da filha. Embora por dentro estivesse destroçada, sabia que era o melhor. Enquanto despedia-se dos demais foi de encontro a uma mulher. "Desculpe, magoei-lhe?" disse ela. "Não, estou bem." Ela continuou: "Ainda bem, desculpe estou toda atrapalhada e feliz porque acabei os meus estudos e voltei para meu país". Ao ouvir aquilo embora soubesse que talvez essa jovem iria passar pelo mesmo, animou-se e desejou que ela tivesse melhor sorte: "Então, seja bem-vinda a São Tomé!"

Por: Yemi Lolo